1984
Então, galera, acho que esse é o livro que eu mais forço no meio dos meus amigos, eu insisto muito pra eles lerem, porque é incrível. Vou tentar escrever sobre a obra e isso vai ser difícil, então se a resenha ficar ruim, por favor, desconsiderem, leiam o livro mesmo assim, vocês não vão se arrepender.
O cenário de 1984 é uma distopia, que é basicamente uma antiutopia, e o sistema de governo, claro, é o totalitarismo. O mundo é dividido em três megablocos: Oceania, Eurásia e Lestásia, e esses blocos estão em constante conflito. Na sociedade criada por Orwell, os personagens não possuem relações interpessoais profundas, e vivem isolados. Alguns personagens possuem família e moram com as mesmas, porém, não existe um laço afetivo verdadeiro entre os membros e por isso a relação não tem real importância.
Em todas as residências existe uma Teletela, que é uma aparelho capaz de captar todos os movimentos e sons dos cidadãos, essa é uma forma que o Estado encontra de vigiar e controlar sua população. A única camada que não possui Teletela é a prole, onde só se encontram cidadãos de baixo nível cultural e rendimento, aparentemente, o Estado despreza tanto essa classe social que acha desnecessário vigiá-los.
Como todo sistema totalitário, existe uma figura forte que os cidadãos temem e respeitam, e no caso dos moradores da Oceania, que é o megabloco onde a história ocorre, é o Grande Irmão (Big Brother). O Grande Irmão é uma figura expressiva, um rosto difícil de se esquecer, mas que nunca aparece fisicamente, e apesar de todos os moradores da Oceania acredidarem piamente no Grande Irmão, o leitor muitas vezes questiona sua existência. Grande Irmão é o Tio Sam da Oceania, uma figura que personifica o Estado.
Nesse livro vemos características que foram citadas posteriormente no livro de Michel Foucault, Vigiar e Punir, que mostra como as classes opressoras procuram manter a disciplina nas classes oprimidas, criando um sistema em que o oprimido não tenha a mínima intenção de se rebelar. Para que esse sistema funcione é necessário que o Estado tenha mecanismos para controlar ao máximo os oprimidos, e é aí que se encaixam dois termos que Orwell criou: Duplipensar e Novilíngua.
Duplipensar é o ato de aceitar duas ideias completamente opostas como verdade, dessa forma o governo pode se utilizar de qualquer mecanismo, mesmo que contraditório, para se manter no seu patamar elevado. Em 1984, o Estado controla o passado, o presente e o futuro utilizando esse mecanismo. Em um trecho do livro esse controle se mostra bem claro: a Oceania se encontra em guerra com outro megabloco, a Lestásia, e de uma hora para a outra, é anunciado que a guerra, na verdade, é contra a Eurásia e sempre foi contra a Eurásia, e que a Lestásia é um bloco aliado. Nesse momento, todos os documentos que um dia mostraram que a Oceania e a Lestásia estavam em conflito, são destruídos, junto com os documentos que mostram que a Eurásia já foi aliada.
Esse procedimento ocorre várias vezes, a massa segue seu fluxo e, automaticamente, todo ódio que a população da Oceania tinha pela Lestásia é transmitido para Eurásia. Isso mostra a manipulação sofrida pela sociedade. Para evitar que os cidadãos comecem a criar uma opinião crítica e comecem a notar as falhas do Estado, o governo desenvolveu a Novilíngua, que nada mais é do que a língua original reduzida. Ao reduzir o acervo de palavras, se reduz também a capacidade de formar ideias complexas e completas, e dessa forma, os riscos de uma rebelião se tornam cada vez escassos.
Mas como em toda sociedade, existem aqueles que não concordam com o sistema vigente ou com parte dele, e não concordar com o sistema, na Oceania, é um crime. Segundo o dicionário da Novilíngua, isso é chamado de Crimideia. A Crimideia é a junção das palavras ''Crime'' e ''Ideia'', ou seja, você ter uma opinião que não condiz com aquilo que o Estado prega como certo, você está comentendo o crime contra o Estado e será severamente punido por esse crime.
Dentro de todo esse contexto conturbado, existe Winston, um cidadão da Oceania, que leva a vida assim como todos os outros, até que começa a ter pensamentos que se encaixam na denominação de Crimideia. A partir desse momento, Winston passa a viver de forma amendrotada, sempre procurando esconder da melhor maneira possível suas ideias. Ele passa a frequentar o local onde a prole vive, onde não existe vigilância e começa a ter contato com outro contexto. Nesse tempo, ele conhece Júlia, uma cidadã que possui ideias semelhantes às suas, e encontra vestígios de um possível grupo que é contra o Grande Irmão.
Os encontros dos dois só ocorrem onde a prole vive, e em outros locais onde não existe Teletela, nem qualquer tipo de vigilância. Porém, os dois vão descobrir que o preço que se paga por ter um senso crítico, às vezes é alto demais.
Na Oceania, eles utilizam um modo bem extremista para eliminar qualquer resquício de uma possível rebelião. Se você quer que um sistema perdure, você não deve matar o precursor da ideia que atinge seu governo, você deve matar a ideia. Dessa forma, qualquer pessoa que cometa uma Crimideia passa por uma severa lavagem cerebral para acreditar que o certo é o que o Grande Irmão prega, e não suas ideias que conflituam com o sistema. Dessa forma, a ideia morre, e o precursor torna-se um cidadão exemplar que vive de acordo com as leis do Estado.
Uma coisa que assusta nesse livro, é a semelhança que ele tem com a sociedade em que vivemos, em como, involuntariamente, vivemos com regras que, se tivessemos o mínimo de senso, não concordaríamos. Assim como em 1984, as nossas amarras são muito mais mentais do que físicas.
"Crime de pensamento não implica morte: crime de pensamento 'é' morte" Winston Smith.
Caramba Isa, muito bom! Fiquei até pilhado pra ler esse livro! Vai pra minha lista, com certeza!
ResponderExcluirBjaoo
Obrigada! Fico feliz em saber que gostou *-*
ExcluirLeia mesmo, o livro é ótimo
Beijão s2
Bom adorei a resenha e estou lendo este livro a uma semana e é muito bom...
ResponderExcluirBjos