sexta-feira, 19 de julho de 2013

Jostein Gaarde

O Mundo de Sofia

Romance da história da filosofia

   Olá, pessoas! Como vocês devem ter notado, o nome do meu blog é quase um plágio do nome desse livro, porque essa obra modificou bastante a minha visão de mundo e também a minha forma de encarar a filosofia. Apesar do livro utilizar diversos fatos históricos para contar a história da filosofia, não é necessário ter um profundo interesse nesse assunto, pois o autor une esses fatos históricos com a ficção da obra. Essa união gerou um livro incrível, que trás registros da primeira reflexão filosófica até o existencialismo.
   O livro é bastante complexo, então vamos por partes, primeiro, vamos conhecer Sofia:
  • Sofia Amundsen
   Sofia tem 14 anos e está perto de completar seus 15. Seu pai é capitão de um navio petroleiro e não aparece na obra, pois em suas viagens, costuma ficar bastante tempo afastado. Sofia mora com a mãe e com seus diversos animais de estimação, que são, de certa forma, uma maneira de compensar a ausência do pai. Devido à sua capacidade de se virar sozinha na maioria das vezes, já que seu pai não se encontra e sua mãe trabalha, Sofia possui uma maturidade mais desenvolvida do que a das meninas da sua idade.

   Uma coisa muito importante em relação a Sofia é sua idade. Esse se mostra um fator muito importante no decorrer da história. Muitos sabem que os 15 anos significam mudança, e a festa é um rito de passagem. Durante todo o livro, o evento mais esperado é a festa de 15 anos de Sofia, onde se dará o desfecho da história. 
   A história começa quando Sofia passa a receber cartas que fazem parte de um curso de filosofia por correspondência, porém, ela não conhece o remetente dessas cartas. Conforme o curso vai evoluindo, o professor vai se identificando cada vez mais, até que o Sofia finalmente o conhece, seu nome é Alberto Knox.
  • Alberto Knox
   Alberto é um homem de meia-idade, extremamente intelectualizado, que torna-se professor de filosofia de Sofia. Ele tem a capacidade de ensinar o conteúdo com exemplos acessíveis que estimulam as reflexões, não só de Sofia, mas também do leitor. As aulas de Alberto são dinâmicas e quase sempre envolvem exemplos práticos que familiarizam aspectos atuais com a época de cada pensamento estudado.

    Durante o curso, Sofia não recebe apenas cartas de Alberto, mas também cartões postais endereçados à Hilde Møller Knag, uma jovem que compartilha bastantes características com Sofia, e que também está para completar 15 anos de idade. Esses cartões também vão se tornando cada vez mais complexos e Hilde torna-se uma personagem cada vez mais íntima da protagonista
  •  Hilde Møller Knag
    Hilde tem 14 anos e irá completar 15 exatamente no mesmo dia que Sofia, e apesar das diferenças físicas, ambas são bem parecidas psicologicamente. Em vários momentos, aparecem indícios de que uma é o reflexo da outra, como se houvesse uma dependência entre a existência de ambas.

    Assim como Alberto Knox vai se revelando com o tempo, o rementente das cartas endereçadas à Hilde, também. As cartas são escritas pelo pai de Hilde, e seu nome é Albert Knag, e ele conhece Sofia e Alberto melhor do que os dois imaginam.
  • Albert Knag
    Albert é um major de uma unidade das forças de manutenção da paz da ONU no Líbano. O nome extremamente semelhante ao nome do professor de Sofia, Alberto Knox, não é apenas uma coincidência e isso torna-se cada vez mais aparente com o decorrer da história. Outro personagem que se assemelha a Albert é o pai de Sofia, ambos estão fisicamente ausentes nas vidas das filhas.

    Com o decorrer da história, a intromissão de Albert na vida de Sofia e Alberto torna-se cada vez mais frequente, até que essa instromissão torna-se uma espécie de controle de suas atividades. Hilde passa a ser cada vez mais citada e Sofia começa a interessar-se cada vez por ela e por suas semelhanças. Albert muitas vezes é citado como uma espécie de Deus, capaz de controlar a existência de Albert e Sofia, sem nunca aparecer fisicamente.
    Alberto muitas vezes se insere em contextos históricos para explicar o conteúdo para Sofia. E muitas vezes Albert se insere na história de Alberto e Sofia para chegar até Hilde. Essa situação torna-se cada vez mais frequente e a impressão de estar lendo um livro dentro de outro torna-se cada vez mais real. Todas as intromissões de Albert, aulas de Alberto e questionamentos de Sophia, resultam na questão do existencialismo.
    Muitas vezes você se questiona até que ponto aqueles personagens realmente existem, e em alguns momentos, você questiona sua própria existência. O livro tem o intuito de acordar o leitor para sua existência, assim como Alberto e Sofia fizeram, apesar do controle de Albert em sua vida. Existe uma frase de Sartre que sintetiza muito bem a ideia principal do livro: ''Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós''.
     Sua existência, sua essência e seu ser, dependem só de você. Você decide como vai usar sua liberdade e se vai usá-la ao seu favor. Nós somos os únicos seres que possuem a consciência da própria existência, nós a controlamos, fazemos das nossa vida aquilo que queremos. Devemos aprender a lidar com as consequências de nossa existência, e mais ainda com as consequências da nossa liberdade. Ser livre não significa ter o que quiser, viver como quiser, ser livre é viver de escolhas, e escolhas remetem ao fracasso, e é claro, a realizações. Não somos livres de ser livres.

 “Ao tomar uma decisão, percebo com angústia que nada me impede de voltar atrás. Minha liberdade é o único fundamento dos valores.”  Jean-Paul Sartre

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