quarta-feira, 24 de julho de 2013

Neil Gaiman

Coraline

    Olá, pessoas! Vou tentar fazer uma resenha da obra do Neil Gaiman e espero, do fundo do meu coração, que dê certo. O meu interesse por esse livro veio da animação que fizeram dele. Achei o filme fantástico, e não poderia ser diferente, ele é todo feito em Stop motion e os personagens são feitos de massinha! O cenário é muito bem elaborado, e realmente traz o clima sombrio da história. Quem gosta das produções de Tim Burton, com certeza irá gostar desse filme. A animação é bem fiel ao livro, então pra quem não é fã de literatura, fica a indicação do filme.
  Coraline possui um comportamento típico de crianças que procuram chamar atenção, é hiperativa e está sempre querendo se diferenciar. Em muitos momentos vemos a falta de paciência de seus pais com ela. O pais de Coraline são bastante comprometidos com seus respectivos trabalhos, e acabam negligenciando a própria filha.
    A história começa quando a família resolve se mudar para um antigo casarão, que se encontra próximo a uma floresta.  A casa é divida em apartamentos, portanto existem outras pessoas a habitando. Os vizinhos de Coraline são bastante excêntricos e ela acaba descobrindo isso de forma bem abrupta. Um dos apartamentos é ocupado por duas senhoras, que já foram grandes acrobatas, vivem das lembranças do passado glorioso e, por isso, não conseguem seguir em frente, essas duas são a primeira representação da vaidade na obra. O outro apartamento é ocupado por um senhor que deseja criar um circo apenas de ratos, e passa os dias dentro de casa procurando meios de treinar os roedores, ele é a segunda representação da vaidade. 
    Devido a falta de atenção em casa, Coraline passa a explorar os arredores do casarão, e após conhecer os vizinhos, passa a vasculhar a floresta. Ao anoitecer, Coraline retorna para o jantar e se depara com a comida nada saborosa que seu pai preparou. Após a refeição, ela se dirige para o quarto, que também não a agrada, e adormece. Na manhã seguinte, a menina percebe, tristemente, que está chovendo e que seu plano de explorar a floresta, não poderá se concretizar. Percebendo a inquietude da filha, o pai de Coraline sugere uma exploração dentro da própria casa, e ela acata a sugestão.
   Após muito tempo anotando tudo que encontra na casa, vistoriando tudo que pode ser vistoriado, Coraline descobre uma porta, e essa porta se encontra fechada. A menina vai até a mãe e pede para que ela abra a porta, mas para sua decepção, a única coisa que encontra é uma parede de tijolos. Essa surpresa, nada agradável, deixa Coraline muito curiosa, e um dia, quando os pais não estão em casa, ela vai até a porta e a abre novamente, mas, dessa vez, há uma passagem atrás da mesma.
   Quando ela atravessa a passagem, se depara com sua própria casa, porém, muito mais agradável visualmente. Nesse local, Coraline também encontra Outra Mãe e Outro Pai, que são muito parecidos com seus verdadeiros pais, exceto pelo fato de terem botões no lugar dos olhos. Tudo nesse local é melhorado, a comida é mais gostosa, o quarto de Coraline é mais bonito, os vizinhos são mais atraentes, e os pais lhe dão mais atenção, a vida é a utopia que ela tanto queria. Toda essa beleza criada pela Outra Mãe é mais uma representação da vaidade, que procura conquistar o amor de Coraline através dessa combinação de qualidades visuais.
    A menina fica encantada com tudo que encontra, porém, logo ela descobre que as coisas não são tão simples quanto parecem. A Outra Mãe logo propõe a estadia permanente de Coraline, e diz que se ela aceitar a proposta, tudo que terá que fazer é costurar botões no lugar dos olhos, a partir desse momento, tudo que a menina deseja é retornar para sua casa real. Mas ela vai perceber que seu envolvimento com o mundo da Outra Mãe já foi o suficiente para desestabilizar sua antiga vida, e ela vai precisar se esforçar ao máximo para a recuperar. 
    No fim das contas, Coraline percebe a importância de sua real família em sua vida, e a prefere, abrindo mão de uma vida em que todos seus desejos seriam realizados pela Outra Mãe. O fim do livro remete à obra do filósofo Matias Aires, Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens, escrito em 1752. Matias dizia que o excesso de amor próprio, é a vaidade, e só o que se opõe a vaidade, é o amor pelo próximo. O amor resultante da vaidade, seria o amor medíocre, e o amor real, conquistado, seria o amor sublime. E é esse amor sublime que Coraline tem pelos pais, que se torna sua arma contra o amor medíocre da Outra Mãe.

                      ''Quando você tem medo e faz mesmo assim, isso é coragem.'' Coraline

Nenhum comentário:

Postar um comentário