sábado, 13 de julho de 2013

Jorge Amado

Capitães da Areia
  
    Olá, pessoas! Resolvi começar as resenhas por esse livro, já que o li recentemente e a história é maravilhosa. O livro retrata a história de um grupo de crianças abandonadas que vivem em um trapiche, que se situa em frente à praia. O grupo contém jovens de 8 até 16 anos, e eles sobrevivem com o dinheiro do furto que praticam em Salvador.
    Apesar de terem atitudes bastante adultas, conhecerem os prazeres da carne, como é colocado na própria obra, os menores possuem desejos bastante  infantis e mostram que apesar da maneira como vivem, não passam de crianças, e têm os mesmos sonhos que as demais.
   É uma obra fictícia que retrata fielmente a realidade das crianças abandonadas, da vida daqueles que foram excluídos e vivem à margem da sociedade. A opressão que sofrem durante todo o livro é tão intensa, que os próprios jovens acham que são merecedores da mesma. Acreditam que não passam de um bando de ladrões e que o tratamento que recebem condiz com o que são.
   Dentre os personagens do livro, o que mais chamou minha atenção foi Sem-Pernas, um personagem mesquinho e extremamente rancoroso. Sem-Pernas não perde uma oportunidade de debochar dos outros meninos e de suas atividades, o que, na verdade, não passa de uma vontade de ser igual aos outros, de ter um refúgio para a vida que leva.
   Notamos ainda mais a inocência dos personagens quando Dora aparece e torna-se a figura feminina do grupo, todos têm um enorme respeito por ela, e a tratam como se fosse a mãe do grupo. Nessa parte do livro notamos a carência presente em cada um dos meninos, a carência de carinho, atenção e conforto. 
   Uma coisa interessante que notei enquanto lia Capitães da Areia, é a incrível semelhança que essa obra tem com Peter Pan, outro livro que também retrata um grupo de crianças que não possui família. Pedro Bala seria o Peter Pan dos Capitães da Areia, o líder do grupo, aquele em que todos confiam para resolver todos os problemas, a certeza de segurança. Os demais meninos seriam os garotos perdidos, extremamente carentes de uma mãe, de alguém que lhes dê a atenção que tanto necessitam. E a semelhança mais interessante se encontra em Wendy e Dora, aquelas que assumem a figura materna dos grupos, e dão todo o carinho que os meninos tanto desejavam. As duas obras mostram, embora de formas diferentes, a falta que uma estrutura familiar faz para uma criança. Capitães da Areia ainda vai mais longe e mostra a total falta de oportunidade, de atenção e o descaso da sociedade para com os menores abandonados. 
   Jorge Amado não só soube escrever uma linda história que te prende do início ao fim, mas também uma crítica social pesada, que mostra o preconceito com todas as camadas sociais inferiores, da prostituta até o padre que mantém relações com crianças ladras. É um livro que conscientiza e abre os olhos daqueles que ainda fingem não ver a situação dos jovens abandonados do nosso país.  Recomendo esse livro com todas as forças da minha alma, é uma leitura muito proveitosa e que faz você se apaixonar por todos os personagens. Leiam e amem também!

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