segunda-feira, 15 de julho de 2013

George Orwell

1984

   Então, galera, acho que esse é o livro que eu mais forço no meio dos meus amigos, eu insisto muito pra eles lerem, porque é incrível. Vou tentar escrever sobre a obra e isso vai ser difícil, então se a resenha ficar ruim, por favor, desconsiderem, leiam o livro mesmo assim, vocês não vão se arrepender. 
   O cenário de 1984 é uma distopia, que é basicamente uma antiutopia, e o sistema de governo, claro, é o totalitarismo. O mundo é dividido em três megablocos: Oceania, Eurásia e Lestásia, e esses blocos estão em constante conflito. Na sociedade criada por Orwell, os personagens não possuem relações interpessoais profundas, e vivem isolados. Alguns personagens possuem família e moram com as mesmas, porém, não existe um laço afetivo verdadeiro entre os membros e por isso a relação não tem real importância.
   Em todas as residências existe uma Teletela, que é uma aparelho capaz de captar todos os movimentos e sons dos cidadãos, essa é uma forma que o Estado encontra de vigiar e controlar sua população. A única camada que não possui Teletela é a prole, onde só se encontram cidadãos de baixo nível cultural e rendimento, aparentemente, o Estado despreza tanto essa classe social que acha desnecessário vigiá-los.
    Como todo sistema totalitário, existe uma figura forte que os cidadãos temem e respeitam, e no caso dos moradores da Oceania, que é o megabloco onde a história ocorre, é o Grande Irmão (Big Brother). O Grande Irmão é uma figura expressiva, um rosto difícil de se esquecer, mas que nunca aparece fisicamente, e apesar de todos os moradores da Oceania acredidarem piamente no Grande Irmão, o leitor muitas vezes questiona sua existência. Grande Irmão é o Tio Sam da Oceania, uma figura que personifica o Estado.
    Nesse livro vemos características que foram citadas posteriormente no livro de Michel Foucault, Vigiar e Punir, que mostra como as classes opressoras procuram manter a disciplina nas classes oprimidas, criando um sistema em que o oprimido não tenha a mínima intenção de se rebelar. Para que esse sistema funcione é necessário que o Estado tenha mecanismos para controlar ao máximo os oprimidos, e é aí que se encaixam dois termos que Orwell criou: Duplipensar e Novilíngua. 
    Duplipensar é o ato de aceitar duas ideias completamente opostas como verdade, dessa forma o governo pode se utilizar de qualquer mecanismo, mesmo que contraditório, para se manter no seu patamar elevado. Em 1984, o Estado controla o passado, o presente e o futuro utilizando esse mecanismo. Em um trecho do livro esse controle se mostra bem claro: a Oceania se encontra em guerra com outro megabloco, a Lestásia, e de uma hora para a outra, é anunciado que a guerra, na verdade, é contra a Eurásia e sempre foi contra a Eurásia, e que a Lestásia é um bloco aliado. Nesse momento, todos os documentos que um dia mostraram que a Oceania e a Lestásia estavam em conflito, são destruídos, junto com os documentos que mostram que a Eurásia já foi aliada.
    Esse procedimento ocorre várias vezes, a massa segue seu fluxo e, automaticamente, todo ódio que a população da Oceania tinha pela Lestásia é transmitido para Eurásia. Isso mostra a manipulação sofrida pela sociedade. Para evitar que os cidadãos comecem a criar uma opinião crítica e comecem a notar as falhas do Estado, o governo desenvolveu a Novilíngua, que nada mais é do que a língua original reduzida. Ao reduzir o acervo de palavras, se reduz também a capacidade de formar ideias complexas e completas, e dessa forma, os riscos de uma rebelião se tornam cada vez escassos.
    Mas como em toda sociedade, existem aqueles que não concordam com o sistema vigente ou com parte dele, e não concordar com o sistema, na Oceania, é um crime. Segundo o dicionário da Novilíngua, isso é chamado de Crimideia. A Crimideia é a junção das palavras ''Crime'' e ''Ideia'', ou seja, você ter uma opinião que não condiz com aquilo que o Estado prega como certo, você está comentendo o crime contra o Estado e será severamente punido por esse crime.
    Dentro de todo esse contexto conturbado, existe Winston, um cidadão da Oceania, que leva a vida assim como todos os outros, até que começa a ter pensamentos que se encaixam na denominação de Crimideia. A partir desse momento, Winston passa a viver de forma amendrotada, sempre procurando esconder da melhor maneira possível suas ideias. Ele passa a frequentar o local onde a prole vive, onde não existe vigilância e começa a ter contato com outro contexto. Nesse tempo, ele conhece Júlia, uma cidadã que possui ideias semelhantes às suas, e encontra vestígios de um possível grupo que é contra o Grande Irmão.
    Os encontros dos dois só ocorrem onde a prole vive, e em outros locais onde não existe Teletela, nem qualquer tipo de vigilância. Porém, os dois vão descobrir que o preço que se paga por ter um senso crítico, às vezes é alto demais.
    Na Oceania, eles utilizam um modo bem extremista para eliminar qualquer resquício de uma possível rebelião. Se você quer que um sistema perdure, você não deve matar o precursor da ideia que atinge seu governo, você deve matar a ideia. Dessa forma, qualquer pessoa que cometa uma Crimideia passa por uma severa lavagem cerebral para acreditar que o certo é o que o Grande Irmão prega, e não suas ideias que conflituam com o sistema. Dessa forma, a ideia morre, e o precursor torna-se um cidadão exemplar que vive de acordo com as leis do Estado. 
    Uma coisa que assusta nesse livro, é a semelhança que ele tem com a sociedade em que vivemos, em como, involuntariamente, vivemos com regras que, se tivessemos o mínimo de senso, não concordaríamos. Assim como em 1984, as nossas amarras são muito mais mentais do que físicas.

            "Crime de pensamento não implica morte: crime de pensamento 'é' morte" Winston Smith.

sábado, 13 de julho de 2013

Jorge Amado

Capitães da Areia
  
    Olá, pessoas! Resolvi começar as resenhas por esse livro, já que o li recentemente e a história é maravilhosa. O livro retrata a história de um grupo de crianças abandonadas que vivem em um trapiche, que se situa em frente à praia. O grupo contém jovens de 8 até 16 anos, e eles sobrevivem com o dinheiro do furto que praticam em Salvador.
    Apesar de terem atitudes bastante adultas, conhecerem os prazeres da carne, como é colocado na própria obra, os menores possuem desejos bastante  infantis e mostram que apesar da maneira como vivem, não passam de crianças, e têm os mesmos sonhos que as demais.
   É uma obra fictícia que retrata fielmente a realidade das crianças abandonadas, da vida daqueles que foram excluídos e vivem à margem da sociedade. A opressão que sofrem durante todo o livro é tão intensa, que os próprios jovens acham que são merecedores da mesma. Acreditam que não passam de um bando de ladrões e que o tratamento que recebem condiz com o que são.
   Dentre os personagens do livro, o que mais chamou minha atenção foi Sem-Pernas, um personagem mesquinho e extremamente rancoroso. Sem-Pernas não perde uma oportunidade de debochar dos outros meninos e de suas atividades, o que, na verdade, não passa de uma vontade de ser igual aos outros, de ter um refúgio para a vida que leva.
   Notamos ainda mais a inocência dos personagens quando Dora aparece e torna-se a figura feminina do grupo, todos têm um enorme respeito por ela, e a tratam como se fosse a mãe do grupo. Nessa parte do livro notamos a carência presente em cada um dos meninos, a carência de carinho, atenção e conforto. 
   Uma coisa interessante que notei enquanto lia Capitães da Areia, é a incrível semelhança que essa obra tem com Peter Pan, outro livro que também retrata um grupo de crianças que não possui família. Pedro Bala seria o Peter Pan dos Capitães da Areia, o líder do grupo, aquele em que todos confiam para resolver todos os problemas, a certeza de segurança. Os demais meninos seriam os garotos perdidos, extremamente carentes de uma mãe, de alguém que lhes dê a atenção que tanto necessitam. E a semelhança mais interessante se encontra em Wendy e Dora, aquelas que assumem a figura materna dos grupos, e dão todo o carinho que os meninos tanto desejavam. As duas obras mostram, embora de formas diferentes, a falta que uma estrutura familiar faz para uma criança. Capitães da Areia ainda vai mais longe e mostra a total falta de oportunidade, de atenção e o descaso da sociedade para com os menores abandonados. 
   Jorge Amado não só soube escrever uma linda história que te prende do início ao fim, mas também uma crítica social pesada, que mostra o preconceito com todas as camadas sociais inferiores, da prostituta até o padre que mantém relações com crianças ladras. É um livro que conscientiza e abre os olhos daqueles que ainda fingem não ver a situação dos jovens abandonados do nosso país.  Recomendo esse livro com todas as forças da minha alma, é uma leitura muito proveitosa e que faz você se apaixonar por todos os personagens. Leiam e amem também!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

001

Hey Hey!

    Olá, pessoas! Há muito tempo que venho sendo chata com os outros, querendo compartilhar minhas opiniões sobre livros, ou mesmo filmes, mas poucos têm paciência para prestar atenção, sendo assim resolvi criar um blog, com o intuito de fazer resenhas e compartilhar com vocês meus livros favoritos, ou até os que eu não gostei tanto assim. Lê quem quer, e eu escrevo o que eu quiser, dessa forma, todos saem ganhando, e eu não preciso ficar sendo incoveniente, não é mesmo?
     Espero que esse blog seja proveitoso não só para mim, e que sirva de incentivo para aqueles que querem compartilhar suas opiniões, ou que desejam ler mais livros. Enfim, para quem veio até aqui e leu essa postagem, ficam os meus mais sinceros agradecimentos, e peço para que vocês acompanhem as postagens que virão por aí. Obrigada.